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publicado em 13 de agosto de 2020

A Comunicação Agroambiental precisa entrar em campo 

Uma declaração da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, durante o lançamento do Plano de Investimento da Agricultura Sustentável, em junho deste ano, não me sai da cabeça e nem dos meus projetos de comunicação nos últimos meses. A ministra disse que “temos que, efetivamente, assumir nossa vocação de potência agroambiental global”. Isso me despertou para a solução de um ruído que presencio há mais de 20 anos, a qual compartilho neste artigo. 

Entre vivências, conversas, estudos, há muito tempo tenho visto e entendido que não há agronegócio sem que o meio ambiente seja preservado. Ou seja, a proteção ambiental é sim parte efetiva da produção agropecuária brasileira, e aqui cito um merecido clichê: aí está a “salvação da lavoura”!  

Mato Grosso já deveria ter assumido esse discurso e posicionamento há muitos anos perante a opinião pública. Obviamente, digo isso por sermos o cerne da produção agropecuária no Brasil, um estado agrícola, com DNA de pura terra, mas que ainda peca por insistir em criar um cabo de guerra entre agro x meio ambiente. A retórica é péssima. A narrativa desconstrói e desagrega. E isso vale para os poderes constituídos, autoridades, empresas, entidades representativas, entre outros.  

Um exemplo? Em 22 anos de atuação profissional, sendo 20  quase que totalmente dedicados ao que comumente chama-se de Comunicação Agro, raras vezes vi um cenário tão favorável para que os produtores rurais brasileiros pudessem se reposicionar como agora. Sim, em meio a queimadas terríveis, elevados índices de desmatamento, manchetes diárias. Digo se reposicionar perante a opinião pública, pois posicionados já estão: na economia, nos negócios, nas fazendas. 

Uma atividade milenar tão essencial à sociedade, mas que só ocupa manchetes positivas em veículos especializados e/ou quando registra recordes de produtividade, influência no PIB. Não é de todo ruim, mas cansa e não avança mostrando, de fato, como se tem chegado a estes números que tanto impressionam: responsabilidade, compromisso, investimento, pesquisa, preservação, os bons exemplos.  

Tantas corporações do setor, cooperativas, associações, institutos, entre outros, desenvolvem ações incríveis, têm parcerias com ONG’s, órgãos governamentais, mas não mostram isso. Sempre ouvi: de quem é a culpa? A resposta nem sempre agrada os ouvidos, mas ela existe.  

Criticado, atacado, julgado, culpado e condenado, na maioria das vezes, o produtor rural tem uma baita dificuldade em fazer o que chamam de defesa. Chamo de investimento em informação. Nada pode combater mais a ignorância do que a boa informação. Inclusive deles próprios, que precisam buscar isso também. 

Aposto na “Comunicação Agroambiental”. Tem dado muito certo e é perceptível como a sociedade quer e gosta de conhecer cidadãos e empresas que atuam não apenas para produzir, mas para preservar e fazer processos de inclusão social grandiosos. Não são extraterrestres que vieram atacar a terra chamada Floresta Amazônica, por exemplo.   

Informação é vacina. Fake news, excesso de desinformação, só se combatem com embasamento técnico e difusão de conteúdo. Deixo uma receita para quem estiver pensando em se vacinar, seguindo a linha de raciocínio da ministra Tereza Cristina, com quem iniciei o artigo: se vamos assumir nossa vocação como potência na produção agroambiental que, a partir de agora, sejamos também potência na Comunicação Agroambiental. Ficam a ideia e o desafio lançados. 

 

KAROL GARCIA é jornalista, palestrante, coach e mentora em Comunicação Corporativa, especialista em Gerenciamento de Crise e Comunicação Agroambiental. É CEO da KG Estratégia e Gestão. www.kgcomunicacao.com.br – Instagram: @kgestrategiaegestao