A “caloura agro”.
Este foi apelido por ‘longos’ 6 meses no curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, na UFMT.
Pejorativo. E confesso que, aos 18 anos, eu esperava um apelido mais descolado. Não teve jeito. A origem não deixava.
Acabara de chegar à capital, vindo de Rondonópolis – à época grande celeiro da agropecuária brasileira (não se usava o termo “Capital do Agro” naquela época.
Foi profético o apelido pejorativo.
Aos 15, 16 anos emplacava artigos em jornais locais e revistas (até na Capricho, um sucesso na época!)
Mas foi aos 18 anos que comecei a trabalhar em Comunicação profissionalmente. E adivinha…Foi justamente para a Famato – Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso. Literalmente era tudo mato, especialmente aqui em Mato Grosso. Nunca mais parei.
Passei por redações de jornais, tv’s,, amadureci como repórter na editoria de Política, cobri Judiciário, geri times, administrei empresa, fui pra Gestão Pública, virei empreendedora e…o Agro sempre presente.
Este recorte gigante da minha vida (reduzido aqui, obviamente) contei no dia desta foto linda do Jefferson Eduardo. Foi palestrando para o evento Pecuária em Pauta, da Acrimat . Então, sim, este texto saiu de uma tentativa de só postar um #tbt!
O desafio ali era falar da minha relação com a Agropecuária e apontar caminhos para profissionais da Comunicação neste setor.
Sou entusiasta da Comunicação no todo. Não apenas para um outro outro segmento.
Me descobri, em mais de 25 anos de carreira, uma especialista generalista – meu foco é a Comunicação e suas infinitas áreas e possibilidades.
Porém, sobre a Comunicação voltada para a agropecuária, hoje, meu olhar é de preocupação. Seja em cobertura especializada, assessoria, consultoria, publicidade, a glamourização que se criou, entorno da temática, tem feito profissionais de Comunicação muito mais reativos e aleatórios do que proativos e intencionais.
Há uma latente histeria, há necessidade de estar no “meio”, se enxerga o setor como mina de ouro, como super tendência e afins. Isso gera senso comum e o catastrófico “Efeito Manada”. Cito o filósofo alemão Friedrich Nietzsche: “situação em que indivíduos em grupo reagem da mesma forma, embora não haja uma direção planejada”.
Neste caso, fazer porque está na moda. Oras, esta história merece ser contada de forma muito mais cautelosa e aprofundada.
Narrativas destroem e constroem. Na agropecuária a visibilidade é dentro e fora do Brasil. O cuidado ao contar esta história não está no tempo de serviço prestado, não é disso que falo. Falo sobre a intenção, sobre o além do que se vê, sobre o capricho na narrativa (ou Storytelling pra quem preferir).
É um setor que faz – e ao mesmo tempo apanha – tanto. Não podemos deixar que façam como agro o que foi feito com a cobertura política: hora de mudar o canal! Dá pra ser real, verdadeira, atrativa, construtiva. Dá para investir em qualidade e não em likes sem fundamento.
Ah! A citação do ”efeito manada” não é mera coincidência, Afinal, tem uma raiz na “agropecuária” – comportamento dos animais que se juntam por algum motivo comum e repetem padrões.
*KAROL GARCIA é jornalista, empreendedora, diretora da KG Inteligência em Comunicação, consultora, trainer em Oratória e Media Training, especialista em Comunicação Pública e Corporativa.